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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

26
Nov07

Domingo de febre.

Marco
Havia nesse domingo algo mais do que apenas domingo e acordar, e missa ao meio dia, e almoço na casa dos pais, e bacalhau cozido com grão (arroz de gambas em alternativa), e o Expresso na mesinha em frente ao sofá e uma ida à Amadora à procura de discos em segunda mão e regressar a casa ao fim da tarde – amanhã dia de trabalho, e levantar ainda noite e todo o trânsito do mundo até Lisboa, havia mais qualquer coisa que essas lágrimas não diziam – e tanto para dizer, essa magreza quase impossível, doentia, esse silêncio que me gritava ao ouvido palavras mudas, tristes.

Hoje domingo e apenas domingo, certeza absoluta, desconheço os teus passos, ignoro se missa, se bacalhau (ou arroz), se Expresso, se Amadora, sei que amanhã segunda e eu longe de tudo isso, noutra galáxia, feita de certezas mais absolutas, há dois dias escrevi prefiro não sonhar a trair os meus sonhos e por isso cá vou eu, devagarinho, sem pressa nenhuma não vá o destino pregar-me alguma rasteira e depois um problema dos diabos, quilos de coisas para esquecer, fazendo lembrar o monte de roupa enxovalhada que se leva para a engomadoria a  fim de recebê-la outra vez como nova.

Hoje domingo e no intervalo desta febre que me derrota, recordo a vida ou partes dela, impressiono-me com o que já fui e pergunto-me como serei daqui a muitos domingos, quando outra febre de novo e eu com tempo para mergulhar dentro de mim, tal como hoje e por isso estas letras, um domingo que não apenas domingo, muito mais do que isso, milhares de mentiras numa só verdade, tardia, cobarde, era isso que escondiam as lágrimas, e o silêncio ruidoso, triste, que hoje ao longe, nesta galáxia de certezas vagarosas, observo num misto de admiração e orgulho já que a roupa toda engomadinha, como deve de ser, pronta a vestir.

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