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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

08
Fev07

Ninguém deu por isso.

Marco
De onde vinha tal “fascínio” era algo a que ninguém conseguia responder com exactidão. Aliás, as pessoas nem sequer se detinham a pensar nisso. Davam-na como um dado adquirido e pronto, cada uma à sua maneira puxava a sua parte, exigindo, querendo, cobrando cada pedaço de si, como se propriedade sua. Tão somente sua. Não interessava a hora, não interessava o dia, não interessava quase nada. Apenas essa parte ou quem sabe o todo, já, agora!

As noites, essas, eram longas. Pesadas. Eternas. Horas sucessivas em que o sono leve de evaporava dando lugar a uma insónia persistente, implacável, também ela a exigir a sua atenção sem sequer reparar no mal que lhe fazia. Até que por fim, de novo o sono leve em horas fugidias, cruéis na forma como lhe fugiam e claro, logo de seguida a manhã. Mais uma manhã de rotina, de puxões, aqui, ali, acolá, a toda a hora.

Nos seus olhos era visível um cansaço pesado, esmagador. Tão visível e no entanto tão despercebido às pessoas, focadas em si mesmas e nas suas exigências. Puxando apenas a sua parte, voltando a exigir, voltando a querer. O seu sorriso, que parecia ser inesgotável, foi-se fechando, devagar, devagar. A sua energia foi desaparecendo até que, numa noite de chuva envergonhada, o seu corpo cedeu. Sentou-se prostrada, baixou a cabeça e chorou.

Ninguém deu por isso.

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