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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

23
Dez06

Era um conto de Natal.

Marco
Nevava. Tinha de nevar. Era um conto de Natal e por isso tinha de nevar. Sem neve, poderia na mesma ser um conto, mas não de Natal. Por isso, nevava. E fazia frio. As pessoas andavam na rua apressadas, como que a não querer esperar mais um ano por outro Natal. As crianças sorriam ao mesmo tempo que aproveitavam para brincar com a neve que nevava e que permitia que este pudesse ser um conto de Natal.

A magia do Natal já não o tocava da mesma forma. Aquele encanto que outrora o envolvia tinha desaparecido, dando lugar a uma mera formalidade. Já nada esperava desta data. As razões, não as sabia ao certo. Mas a verdade é que desejava que a quadra passasse depressa e que os dias voltassem a ser dias normais, sem esta febre alucinante que a todos parecia contagiar. Estava frio. Nevava. E este era um conto de Natal.

Foi então que aconteceu. Naquele preciso momento. O som não o poderia enganar. Era real. Era a sua porta. Num instinto, levantou-se, correu para a janela e viu um fim de tarde coberto do branco da neve. Viu crianças a brincar e pessoas cheias de pressa. Correu para a porta de casa e abriu-a. Nunca se soube ao certo se foi magia que aconteceu, mas do outro lado, sorridente, de olhos cristalinos e um sorriso do tamanho do mundo que fazia covinhas, estava ela.

Disse – vim para ficar, para sempre, ao mesmo tempo que a sua fala fazia curiosos balões de fumo. Ele não disse nada. Não conseguiu. Abraçou-a com toda a sua força e puxou-a para dentro da sua casa, para dentro do seu mundo, para dentro da sua vida. E o Natal voltou a encantá-lo. Com ou sem frio. Com ou sem neve. Porque para ele, o Natal, o verdadeiro Natal era amor e o seu, tinha acabado finalmente de acontecer.

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