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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

08
Jun07

Ao sabor das ondas.

Marco
Quando ontem dei a primeira remada forte e voltei a sentir de novo o felling de descer uma onda, tive outra vez 16 anos e a certeza que à noite me iria encontrar com o resto do pessoal no Bar da Física. Ao chegar, perceber se os lugares nas janelas estão vagos, já que é ali que a malta mais fixe se senta. À esquerda a máquina de Pinball Action estará ocupada por um dos meus amigos que tentam a todo o custo sacar-lhe créditos.

A meio da noite sei que irei com alguns para a Praia do Pisão e também sei que um deles levará uma garrafa de Koriak, conhecido como o pior vodka de Sacavém de todo o sempre. Depois a loucura e o Living onde também sei que o momento alto será a sequência Smells Like Teen Spirit dos Nirvana, Enter Sandman dos Metallica e Symphony of Destruction dos Megadeth. Depois e por fim, ir a pé para o Parque e tentar entrar decentemente em casa.

Ontem quando voltei a entrar mar a dentro, senti que a vida se constrói em círculos redondos e senti também que mais tarde ou mais cedo, voltamos a pisar o chão que já foi o nosso. É verdade que os tempos são outros, que me fartei de levar pancada e que em vez de um dia inteiro aguentei uma hora no máximo. É verdade. Mas o espírito não mudou e por isso, tive a sensação que em cada remada, em cada onda que descer, vou ser o Marco dos 16 anos com um mundo inteiro pela frente.
06
Jun07

Foi ontem.

Marco
Se fosse um poema, seria do Fernando Pessoa e teria aquelas palavras que todos aprendemos mas que só ele sabia utilizar daquela maneira. O seu conteúdo de tão profundo torná-lo-ia intemporal e as pessoas admirá-lo-iam toda a vida, como um lema, uma filosofia. Se fosse um poema, aquele pôr do sol que ontem vi em Santa Cruz nunca morreria, perpetuado para sempre nas palavras do génio e visível a todos para que todos tão maravilhados como eu.

Se fosse uma música, seria do Butch Walker e teria aquela intensidade que a mim me desarma por completo, deixando-me rendido a um talento que pelos vistos ninguém quer conhecer. A sua letra seria um retrato das vidas de todos nós e a sua melodia colar-se-ia à nossa memória para não mais de lá sair. Se fosse uma música, o meu fim de tarde de ontem não teria fim, seria eterno na voz deste talento que parece para sempre condenado ao anonimato.

Se fosse uma fotografia, seria de ti e teria a tua magia, o encanto que exibes todos os dias quando decides flutuar pelo mundo, qual brisa de eternidade, qual perfume do divino. Seria uma imagem inesquecível de tão bela, o olhar, o sorriso, o brilho. Se fosse uma fotografia, o sol que ontem se pôs em Santa Cruz teria ficado paralisado naquele preciso instante em que pintou o céu de laranja e eu estaria ainda agora, deleitado, a contemplá-lo.
05
Jun07

Um ano.

Marco
Um ano depois pergunto quem é este que se escreve, que se decalca neste espaço pintado de verde onde as palavras são gritos de alma, espelho de uma existência tão incerta como a direcção do vento. Procuro respostas que a vida me esconde e encontro perguntas sucessivas, encadeadas, cerradas, impossíveis. Um quase labirinto por onde me movo e do qual nem sei se quero sair. Desistir. Prosseguir. Descobrir.

Um ano depois vejo que por aqui passou a minha vida. Como se um fragmento depositado, registado para sempre. Episódios, visões, sentimentos, pessoas. Emoções. Eu na minha mais pura essência. Sem rodeios nem disfarces. Vi o sol nascer, vi estrelas brilhar, vi noites de luar. Sonhei o mundo inteiro, como fazem as crianças, gostei até ao céu e caí neste véu onde me escondo a desenhar quadros de mim mesmo em forma de palavras.

Um ano depois desconfio que cresci. Noto-o todas as manhãs, na imagem que me olha e cumprimenta. No entanto, continuo com saudades do que não fui, continuo a adorar os sítios onde não estive e continuo a sonhar a pessoa que não tenho. Certas coisas nunca mudam, afinal, quem seria eu mesmo se eu mesmo não fosse assim? Lá estão as perguntas, a surgirem-me em vez das respostas que procuro. Talvez daqui a um ano, quem sabe...

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