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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

17
Jul06

Lá fora, cá dentro.

Marco
Sou um estrangeiro no meu país. Caminho pelas ruas, ouço vozes. Diferentes vozes, vindas de todo o mundo, falando todas as línguas. À noites as luzes. Tantas e de tantas cores. Como brilham. Acendem. Apagam. Voltam a acender num ritual sem fim à vista até que o sol lhes ganhe vantagem. Radioso. Quente. Abrasador.

As pessoas, tão estranhamente parecidas. Os cabelos, louros. Os olhos, azuis. A pele, encarnada. Queimada por dias e dias de praia sem regras. Sem cuidados. Pessoas com sede de Verão. Sede que matam em canecas e canecas também elas louras. Como são diferentes de nós. Curiosamente, penso que se sentem em casa numa Albu feita feira a pensar neles. Que vive por e para eles.

Foi assim durante dois longos dias da minha vida. Dias que se fundiram na noite e vice versa, onde o tempo era todo nosso. Todo para nós. Aproveitando cada momento para exorcizar os demónios dos dias todos iguais, carregados de responsabilidade e do tudo e mais alguma coisa para fazer. Finda a aventura, o regresso à normalidade, brindado com um fim de tarde na praia para não esquecer. Um clássico tão clássico que só terminou bem pertinho do hoje segunda feira.
14
Jul06

A febre de quinta feira à noite.

Marco
Um fim de tarde perfeito. Absolutamente divinal. O ar, quente, quase sufocante. Que saudades deste ar quente, que pede, grita, clama por praia. Ou piscina. Qualquer coisa que refresque o corpo, a mente, o espírito. Tive essa sorte, mas tive muito mais. Tive a companhia cúmplice de cinco pessoas que fazem questão, a cada dia que passa, de provar que são mesmo diferentes. Especiais. Únicas. Um verdadeiro achado.

Primeiro, os mantimentos. Uma monumental caracolada, um não menos digno bacalhau com natas e uma baba de camelo que estou certo, não é deste mundo. Para que tudo fluísse melhor, umas belas e geladinhas greens. A marca não digo porque seria publicidade e eu estou a falar do fim de tarde e não do dia de trabalho.

Depois, toca a ser criança. Bomba atrás de bomba na piscina. Que bom ser criança nem que por uns breves minutos. Nós ainda demorámos uma horinha. Após esta banhada no bom sentido, a jantarada à luz das estrelas, jogando conversa fora e rindo, rindo, rindo. No fim da noite, começou a noite. A outra noite. Dj Piny in the house e tomámos de assalto o Dance Floor da minha sala. Uma estreia absoluta. Foi a loucura total. Ninguém nos podia parar. Só mesmo o avançar da hora e esse senhor chamado - Sentido de Responsabilidade. É que hoje era e é dia de trabalho. E cá estamos nós, juntos de novo, rindo, rindo, rindo. Das memórias de ontem à noite.
13
Jul06

À minha mãe.

Marco
Eu reconheço. Sou péssimo a mostrar o quanto te amo. Eu sei que sou. Sou frio e distante. Como uma pedra que vive sozinha no meio de um imenso nada, fazendo tudo para não estar só quando está só. Fazendo tudo para estar só quando não está só. Eu reconheço que sou assim, só não sei explicar porquê.

A maior das ironias ainda por cima, é ser assim praticamente só contigo. E com o Zé, claro, mas para mim vocês são um só. Sei que não é justo. Dói-me no peito, acredita. Acho que a única explicação que encontro é o amor incondicional que me dão. Que me dás. Inquebrável. Por isso, quando preciso descarregar, acho que opto pelo seguro, ou seja tu.

Mas a verdade é que és muito mais do que isso. Se te pudesse descrever, diria que és o ar que respiro. És a luz de todos os meus dias, o meu sonho preferido de todas as noites. Julgo que não saberia viver sem ti. Imaginar-me é imaginar-te. Representas o tudo com tudo o que nele possa caber.

No sábado quando completares mais um aniversário, gostava que soubesses que estás mesmo de parabéns. Pelo exemplo de filha, de mãe, de amiga que és. Um exemplo que muito me orgulharia de conseguir imitar. Mesmo que sem sucesso. Porque ainda assim, já seria excelente.

Um beijo para ti do tamanho do teu amor. É que maior, não conheço.
12
Jul06

Antes que o Outono...

Marco
O vento sopra de norte. Frio. Estamos no Verão e o Verão teima em não chegar. Preguiçoso? Tímido? Ou esquecido de si próprio? Não sei responder. Nem tenho de. Limito-me a observar. Sentado. Melhor, limito-me a contemplar um espectáculo que outrora foi também o meu.

Um cenário onde já fui actor, por agora apenas espectador. Cá do alto da ravina. A praia ao fim de um dia de semana. De um dia de trabalho. Bela. Quase despida de pessoas. De actores. Quase todos jovens, aspirantes a grandes carreiras, sabe-se lá em que companhia, embora por certo, lá longe onde o areal não chega. Nunca chega.

No mar, voam dois, três, quatro aventureiros nas suas velas do futuro ao sabor de um vento que sopra de norte. Frio. Como eu gostava de ter vivido o passado no futuro para também poder voar assim. Hoje, com os pés cada vez mais assentes na terra, procuro respostas ao mesmo tempo que tento voar, embora ao sabor dos sonhos que me alimentam o espírito. Não quero ser como o Verão. Nem preguiçoso. Nem tímido. Nem quero esquecer-me de mim próprio. Uma distracção e chega o Outono. Da vida.
11
Jul06

Já chega!

Marco
Às vezes irritas-me! A sério! Porque razão teimas em pregar-me partidas? Porque razão insistes nisto? Já chega! Pára com isso. Muda um pouco. Olha bem para mim, para quem eu sou. Achas que mereço? Fiz-te algum mal? Ou fiz mal a alguém? Não pois não! Então porque continuas? Não te cansas? Eu, sinceramente já me estou a cansar.

Estou a ficar cansado de ser apanhado na curva. Tantas curvas. Uma atrás da outra. À mínima distracção lá estás tu, sempre pronta para mais uma rasteira. Que jogo tão baixo! Não mereço isso, sabias? Não estou a dizer que mereço um conto de fadas, mas caramba! Muda um pouco. Sê mais simpática para mim. Vais ver que não custa assim tanto. Eu nem sequer sou muito exigente.

Só queria que resolvesses parar de me fazer sofrer. Pára já com isso! Só queria que tivesses mais cuidado com os caminhos por onde me levas. Tem mais atenção. Já viste a ironia do meu dia a dia? Sim, não te faças desentendia, sabes muito bem onde quero chegar. Tão perto e no entanto tão longe. Tão cruelmente longe...

 Vida! Sim vida estou a falar contigo. Vê lá se tens mais cuidado!
10
Jul06

Ao som dos sonhos

Marco
Os Mojave 3 são daquelas bandas que toda a gente devia conhecer. Os Mojave 3 são uma banda que ninguém conhece. Nascidos dos extintos Slowdive (banda de culto da dream pop), abraçaram um tipo de som que mistura um mar de calmaria com um pôr do sol luminoso. Há tanta luz nesta música. Tanta esperança, quase juvenil. A esperança do quem me dera… Uma banda que me transporta para o sonho feito verdade. Faz-me deslizar pelo universo do e se fosse? Se acontecesse… Faz-me sorrir. Dá-me arrepios. Em suma, provoca-me sensações.

Gosto de bandas assim. Não existem muitas. Melhor, não conheço muitas. E conheço tantas bandas. Tantas. Gosto de bandas que me despertem os sentidos. É fantástico que um som me entre pelos ouvidos e invada todo o meu corpo. É tão bom quando um som me faz sair de mim para flutuar pela realidade sonhada, desejada, imaginada. Uma realidade que pode nunca acontecer, mas que por instantes é tão real. Tão palpável.

Falei dos Mojave 3 porque os estou a ouvir neste preciso momento em que escrevo. Mas podia ter falado dos Belle and Sebastian. Como eu vos adoro! Podia ter falado dos Camera Obscura. A banda sonora dos meus sonhos de teenager. Podia ter falado dos Monster Movie. A mais injustamente desconhecida de todas as bandas, também ela nascida do fim dos Slowdive. Descubram-na e maravilhem-se. Quatro exemplos de encantamento sublime, pura magia capaz de tornar qualquer momento num intenso purgar de vida. O melhor da vida. E que música comece.

PS: A razão que me levou a ouvir hoje os Mojave 3 é a seguinte frase: You’re beautiful, like the stars at night. 

Mais info:
www.mojave3online.com
www.belleandsebastian.com
www.monster-movie.com
www.camera-obscura.net
07
Jul06

Surpresa ao momento.

Marco
Os verdadeiros momentos de diversão raramente se anunciam a si próprios. Por norma, preferem manter-se na sombra, escondendo-se de nós com o mesmo empenho com que todos o fizemos nas intermináveis horas de jogatana às escondidas na era da criançada. O prazer de correr a toda a velocidade para anunciar uma por certo merecida vitória... Lá está, um momento de diversão, na altura ainda não identificado como tal.

Hoje em dia, começo logo a desconfiar quando me anunciam uma noite fantástica ou momentos inesquecíveis. Normalmente, são mesmo para esquecer. Acho impossível programar um estímulo, uma sensação. Mais vale optar pelo efeito surpresa, ou seja, não esperar, não pensar. Deixar que aconteça. Participar. E aí sim, tudo acontece, até porque nesse caso as expectativas ficam em casa, tudo fica muito mais divertido.

Hoje foi um desses dias. Ou melhor, fins de tarde. Em que se constrói cada momento à base de muita boa disposição e mais do que isso, uma imensa empatia. Gente que se diverte simplesmente porque está e gosta de estar junta. Gente de quem gosto muito e com quem aprendo dia a dia que vida é de facto algo que temos de aproveitar ao minuto. Sem desperdiçar.  
06
Jul06

À nação valente.

Marco
Por mais que quisesse forçar, não consigo estar triste com esta derrota. Não consigo mesmo. Uma derrota que me alimentou o ego de ser português. Uma derrota que me fez sorrir, tremer, chorar e vencer. Uma derrota que cheia de vitórias e momentos que estou certo, nenhum de nós esquecerá. Os arrepios do hino, caramba não existe mesmo nenhum como o às armas, a fezada de um penalti, uma defesa, outro penalti, outra defesa, mais um penalti, mais uma defesa. Tanto querer. Tanta determinação.

Que outra selecção, mesmo as finalistas, viveu momentos tão intensamente dramáticos e gloriosos como a nossa? Nenhuma. O feito épico de colher tulipas com 10 e depois 9 heróis. Correndo até onde as pernas já não queriam ir. Que lição para todos nós. Que superação. E se todos nós fizéssemos esse esforço nas nossas vidas, mesmo quando as nossas pernas também já não querem ir? Que lição de companheirismo e solidariedade! E se todos nós...

Hoje à noite, na hora da não vitória, não consigo estar triste. Não, não sou dos que se confortam com vitórias morais. Sou daqueles que acredita na moral antes de qualquer vitória ou melhor, na moral como a maior das vitórias. E hoje à noite, a verdade é que todos nós gostamos um pouco mais de nós próprios. Todos nós temos a cabeça erguida. Repleta de orgulho. Orgulho de sermos portugueses. Orgulho de sermos enormes. Do tamanho do mundo! Um mundo que se rendeu ao nobre povo. Um mundo que se rendeu à nação valente.
05
Jul06

Do longe o perto.

Marco
É longe o lugar da felicidade. Escondido. Lá, onde tão poucos conseguem chegar. Imagino-o luminoso, repleto de sorrisos e abraços. Repleto de tudo o que bom existe ou deveria existir. Não deve haver frio, nem chuva, nem vento. Não deve haver tristeza, nem solidão, nem injustiça. Não deve haver lágrimas, nem desespero, nem raiva.

Nesse sítio secreto, tudo é sim, tudo é agora. Tudo é possível, basta querer. Basta fazer acontecer. E já está. Logo ali. No momento. Desejos tornados realidade. Vontades satisfeitas. Como deve ser confortável, esse sítio. Como deve ser bonito...

Será que sim?

Será que esse sítio existe mesmo? Ou será que nos cabe a nós descobrir todas essas e outras maravilhas nessa maravilha chamada vida, repleta de sol, luz, pessoas. Amigos. Família. Paisagens. Viagens. Encontros e desencontros. Chuva que nos bate na cara. Vento que nos despenteia. Frio que nos arrepia. Lágrimas que nos comovem. É longe o lugar da felicidade se nos recusarmos a procurá-lo em cada momento da nossa vida.
04
Jul06

Todos os dias.

Marco
Seis e meia da manhã. O despertador. Sono. Muito sono. Tu aí ao lado. Como em todas as manhãs. Bom dia também para ti. O pequeno almoço, o banho, a roupa, o beijo, o até logo, o elevador, o carro, a IC19, o trânsito, o trânsito e o trânsito. Depois o emprego, novamente trânsito, trânsito e trânsito. Tudo igual. Todos os dias.

Sete e vinte da manhã. O despertador. Um sorriso. O meu. Mais um dia. O pequeno almoço, o banho, a roupa, o carro, o verde do campo, vinte minutos, o trabalho. Não emprego, trabalho. É diferente. Depois o regresso, em paz, com paz, o pôr do sol, no mar, o mar, a praia, a noite, as estrelas. Todas diferentes. Todos os dias.

Onze e vinte da noite. O computador. As teclas. Umas atrás das outras. À desgarrada. Ao sabor da alma. O desafio de um pouco de mim próprio. O que sou. O que penso. O que sonho. O que sinto. Como sinto. Um desafio. Mais um, depois de tantos outros. Para vencer. Pelo menos tentar. Dia após dia. Todos os dias.

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