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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

05
Mai08

Três dias depois.

Marco
Eles eram jovens e não acreditavam em dias simplesmente parecidos, muito pelo contrário, sabiam-nos tão distintos como as paredes dos edifícios que se espalham cidade fora, piscando-nos o olho em sinal de boas vindas como se todo o tempo até então tivesse sido de uma espera longa, angustiosa e como não acreditavam em nada disso, decidiram arriscar, decidiram viver uma história de cada vez, esquecendo sempre o amanhã, decidiram vencer as horas pelo cansaço, decidiram encontrar-se ali, uns com os outros e consigo mesmo, desconhecidos com desconhecidos, combinaram em segredo, fizeram as malas, soltaram o último suspiro e partiram.

Eles viviam as suas vidas fazendo equilíbrio em cima dos limites e sorriam sempre que espreitavam para baixo, como se o grande risco que corriam fosse não correrem qualquer risco e brindavam a isso e avançavam seguros e eu a invejá-los – talvez a admirá-los, a cada pequeno instante, como se o mais ínfimo detalhe fosse uma ideia genial que me escapou por entre os dedos, como se aquelas personagens não fossem de verdade e sim actores da Residência Espanhola, como se aquelas ruas quentes e requintadas não fossem  Barcelona mas sim alguma sala de cinema onde nenhuma história vive mais do que um punhado de dias terrivelmente finitos. 

Já todos o sabiam à partida, eu mesmo acho que o sabia à partida, e ninguém ousa sequer pensar muito nisso. O tempo passa quando desviamos o olhar e por isso a sua atenção – a minha atenção, os seu olhares ávidos do sabor que se esconde dentro de um momento, os seus passos a cruzarem-se nos meus, as suas palavras a mergulharem nos meus ouvidos, os seus sorrisos afundados num olhar que procurei nunca desviar, mas que infelizmente, por certo numa pequena distracção que tive, se transformou num toque impiedoso de despertador, chamando-me, empurrando-me para fora daquela história que se fosse eu a escrever, não acabaria nunca.

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