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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

12
Fev08

Na mouche.

Marco
Tenho medo que a liberdade se torne um vício. Esta frase que não minha, se calhar não de ninguém porque as frases não nos pertencem, não são de ninguém, apenas temos a sorte de as descobrir visto que elas lá, desde sempre, flutuando se calhar como brisas frescas ou caindo como as gotas de chuva em manhãs tristes de inverno, nada é de ninguém, passamos pelas coisas, pelas pessoas, são-nos no limite emprestadas, por uns tempos e sempre por uns tempos que logo acabam, um dia, um mês, um ano, uma vida depois do início dos primeiros momentos em que tudo de novo como se renascer fosse esse mesmo instante.

Esta frase a acertar-me em cheio sem que eu minimamente ágil ou rápido, parecendo mais aqueles animais encadeados por uma luz forte no meio da noite escura, espantado, inerte, incapaz de me desenvencilhar das palavras, como se dentro de uma teia, feito prisioneiro do tamanho de todos os significados, tão maiores do que o meu tamanho, tão mais profundos do que todos os mares, escorregadios, apressados, ciclónicos, fugidios e eu a rodopiar rodopiar, no meio das palavras tenho medo que a liberdade se torne um vício, atingido na mouche por tudo aquilo que não consigo alcançar, nesta luta sempre perdida, muito para além de qualquer entendimento.

Penso: quantas vezes a liberdade não será ela mesma uma prisão, uma amarra, um pretexto para que coisa nenhuma que é como quem diz dor, sofrimento, medo, risco, falhanço, derrota, não sei, penso e não penso, é como digo, tudo isto me passa pela cabeça mas são pensamentos e pensamentos apenas que se calhar também não me pertencem, são-me emprestados pela brisa que corre na rua è velocidade do fim de tarde, à medida a que luz se deita e permite que a noite me diga bom dia e realce os máximos dos carros que tanta confusão me fazem, parecendo às vezes palavras tão indecifráveis como tenho medo que a liberdade se torne um vício.

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