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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

18
Out07

Hold Still...

Marco
6:30. Levanto-me e em todos os movimentos que me pesam, tu. A casa parece-me triste, não conheço estas paredes e o que faço soa-me a falso, forçado pela ausência de cor que hoje de manhã me acordou. É Novembro e sei que é Novembro porque as nuvens cheias de pressa e as folhas, caídas, esmagadas no chão que todos pisam apressados. Chove com vergonha. Ao espelho pareço-me demasiado ainda que sem cor, nem sorriso. Olho-me. Não sou dono de mim e é nessa condição que saio de casa, sabendo que estou a um pequeno passo de ti. Nunca te vi, não sei quem és, sei apenas que estás aí, algures, Quero fazer tudo certo, mas tu tão longe, sempre tão longe...

Gosto de ver pessoas. Não que te procure – talvez procure, mas gosto de as ver a todas, observá-las. Sentada junto à janela deste café pergunto-me porque razão nasceu esta manhã sem cor e na minha cabeça, canto uma canção que te cantaria ao ouvido se um dia te encontrasse. Gosto de chá quente quando chove. Não sei porquê. O meu reflexo lembra-me das horas. Tenho de ir. Quando ando, soltam-se folhas que se esmagam no chão. Não sou dona de mim, sou como as flores de que cuido, arrancadas do seu mundo, morrendo a cada instante que passa sem te encontrar. Sei que estás aí, algures, a um passo que mil passos de tão longe, sempre tão longe...

Regresso já noite, ainda sem cor, pelo caminho de sempre... a rua das montras... detenho-me numa... não sei explicar... qualquer coisa... paro para um chá, gosto de ver pessoas e aqui, curioso, quase sinto o teu cheiro que nunca conheci... na televisão lá em cima, um filme, antigo, também sem cor. Regresso a pé pelo caminho das montras coloridas que hoje nem tanto e espreito-as curiosa, como se algum segredo ali por revelar... compro umas verduras diferentes – hoje sem cor, e logo a minha casa, de novo a minha casa... na televisão um filme antigo... gosto de filmes antigos... Eu sei que estás aí... algures. Eu sei que estás aí... algures. É tarde... amanhã 6:30 e eu de novo a pé... apago a luz e em todo o meu peso deitado, tu. É tarde... seguro uma revista que leio sem atenção até que apago por fim a luz. Na minha cabeça, a canção que te cantaria ao ouvido se um dia te encontrasse.

Hold Still...

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