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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

04
Out07

O Livro.

Marco
E pensar que tudo surge do absoluto nada, apenas papel, branco, puro e um tremendo nada, muito maior do que todas as páginas juntas, de uma espessura avassaladora, todo ele possibilidades, caminhos, um nada cheio de tudo, repleto, pronto a esculpir, em bruto, quase rude, desafiando o autor, esse malabarista das letras, à espera que a história o viva para que ele a escreva, nesse terrível acto solitário de optar, dando forma, deixando cair até que um desenho, um vulto e o papel já não em branco, já não puro, já quase tudo. Sempre quase.

Um livro nunca está acabado. Impossível. Um livro é só a parte física de uma relação que não acaba nunca. É um fragmento de tempo, um ponto num universo muito maior. Vive enquanto nada, está lá, sempre esteve, desde o inicio dos tempos, antes de todas as letras e vive, vive depois de quase tudo, na mente de cada um, diferente, imaginado, visto, interpretado e por isso sempre quase, porque nunca igual e porque nunca igual, nunca tudo. Sempre quase. Um quase também ténue, tão ténue como a fronteira ente o último ponto final e a próxima linha que afinal... em branco.

Um livro não pertence a ninguém. Não é ninguém, nem do leitor. Encontra-se com ele para o deixar um dia. Existe. Escrito ou por escrever. Existe. E pensar nos dias sem eles, sem histórias, em branco, sem letras, lisos, sem páginas, vazios, sem capítulos, sós, sem personagens, apenas dias, só dias, ao sabor da rotina demasiado rotina, sem o quase tudo que nunca tudo, sem aquele fragmento de tempo que longe, noutro sítios, cheio de possibilidades, caminhos, um nada cheio de tudo pronto a ser esculpido em imagens que apenas nossas, só nossas. E pensar que tudo surge do absoluto nada, apenas papel, branco...

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