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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

27
Set07

Dias de Outono.

Marco
A cor é diferente. Há nostalgia no ar. Melancolia. Acho que no Outono é sempre domingo, sempre fim de tarde, nunca já noite, fim de tarde, e faz algum frio, o primeiro frio já frio, não apenas brisa, frio, visto de uma janela, sim o Outono é atrás de uma janela, cheio de ruas vazias ou quase – quem lá anda corre de certeza para a janela, e apetece não apetecer, deixar simplesmente que anoiteça a noite que nunca chega.

A cor deve ser ali entre um laranja e o rosa, no meio delas, pintada de fresco, salpicada de pintas castanhas em forma de folhas caídas. Cheira a castanhas assadas e pensando bem, a cor está perto do amarelo das páginas amarelas. As pontas dos dedos, sujas. O Outono caminha sempre para o fim, começa logo no último dia e é sempre último dia. Tocam músicas suaves, como finos fios de magia que nos atravessam, contagiam.

A nostalgia são palavras. A melancolia são palavras. Poemas. Sentimentos. No Outono caímos fundo dentro de nós, estatelados numa existência que volta a ser, é um regresso. Um regresso eterno. Voltamos a ser. Recolhemos, chegamos finalmente, sentamo-nos numa cadeira, exaustos – fazia frio já frio na rua, e chegamo-nos perto da janela. Lá fora o mundo. Vazio. É fim de tarde, do último dia. O fim, perto. O início. A noite quase a chegar sem nunca chegar. Nunca chegar.

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