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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

21
Ago07

Eles e o mundo.

Marco
É quase possível jurar a pés juntos que já ali se esteve. As ruas soam a familiar, enfiadas por debaixo daqueles prédios gigantes onde imagino milhares de pessoas encaixadas atrás de secretarias em pequenos cubículos de espaço. Do chão saem cortinas de fumo numa imagem tão poética como improvável. Ouvem-se buzinas, sirenes como se a banda sonora de todas as horas, num filme que nesta cidade, nunca acaba. Aqui, as sessões são continuas e os actores, aos milhões, cada um com o seu papel principal.

Nova Iorque é mais do que uma cidade. É o mundo. É tudo aquilo que se imagina que possa ser e ao mesmo tempo, muito mais do que isso, numa constante superação de expectativas. É o impossível tornado realidade, a personificação do grande, do enorme, do gigante. É um ritmo que nunca abranda, num compasso apressado, como se de cada minuto dependesse o futuro de todos nós, fazendo lembrar aquelas locomotivas que atrás de si arrastam longos comboios de carruagens.

Olho para a frente de observo dois homens esquecidos pelo tempo. Sentados ao balcão, permitem que os seu cabelos brancos se estendam costas a baixo, sendo que um deles ostenta um velho chapéu de cowboy. Pedem mais duas Bud’s. Sou capaz de jurar a pés juntos que eles sempre ali estiveram, se calhar já cansados de tanto puxar pelo mundo, já nada surpreendidos pelos prédios gigantes e se calhar já fartos das sirenes que nunca se calam. Optaram pelo papel de figurantes e mim, resta-me admirá-los por tamanha coragem.

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