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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

20
Ago07

O sopro.

Marco
O sopro de norte faz-se frio à sua passagem, indiferente às ondas de desencanto que se espalham areal fora, num mar de cores estendidas como se muralhas, frágeis, ténues demais perante a sua força impiedosa. Felizes, uns quantos destemidos desafiam as leis que nos esmagam contra esta terra, voando livremente ao sabor de remoinhos invisíveis, desenhados no céu, pintado de um azul parecido com o das coisas perfeitas, quase celestial, mas mentiroso na sua essência.

O calor é coisa do passado. É força extinta, vencida. Força corrida à pressa, arrastada deste Verão que nunca chegou, como se coisa proibida, do demónio. Força expulsa, fraca. Restam as pessoas, refugiadas nas cortinas  coloridas, numa conformação de quem já nada espera, como se pouco significasse muito e nada, tudo. Escondem-se das balas geladas, laminas cortantes que lhes ceifam as horas que um dia foram de contentamento. Escondido, vejo finos grãos de areia arrancados ao chão, num adeus que sei para sempre.

Penso: talvez estes grãos sejam como as pessoas e talvez sejam elas a correr, livres, rumo aos seus destinos. Talvez este frio que nos consome seja o vento da mudança e talvez as muralhas não tarda já desfeitas, voando sem controle. Talvez os destemidos deslizem finalmente para terra e talvez eu, já de pé, possa sentir essa brisa roubar-me umas quantas lágrimas que nem sequer de choro. Talvez o fim dos dias seja o inicio das coisas perfeitas, tal como o azul que hoje me engole, e talvez amanhã o calor esteja finalmente de volta. Talvez.

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