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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

06
Ago07

Eu, o tempo e a vida.

Marco
Quando de repente o relógio engoliu cinco horas e os teclados voltaram a ganhar acentos e cedilhas, soube que estava de regresso. Voltei a ver aqueles que são os meus, que tanta falta fazem lá longe, transformados em vozes apressadas pelo custo exacerbado de cada palavra. Voltei a reconhecer cada rua como minha, sem segredos ou surpresas, as mesmas árvores, os mesmos passeios, os mesmos prédios, os mesmos carros. A mesma vida que durante uns dias arrumei numa mala e levei de viagem.

É curioso o tempo dentro de um avião. Nada é involuntário, todos os gestos demasiado premeditados, forçados a si mesmos, pesados, raspando com força naquele ar já gasto de tantas vezes respirado. Cada minuto vale por dois, passando vagarosos, suspensos como nós, no ar. Tudo é descabido naquela cápsula que pula no mundo em poucas horas carregadas de tempo em demasia. Sentado, deixo-me levar pelos pensamentos que me acompanharam enquanto disfarço que leio um livro que não sou capaz de ler com atenção.

Chama-se “A Matilha dos Desencantados” e é da autoria do meu grande amigo Miguel Teixeira. Belo livro! A Matilha destes Desencantados dorme na sua maioria, derrotada pelo cansaço das férias enquanto eu conto minutos implorando ao relógio que os mastigue depressa, desejoso que estou de escrever-me de novo, com acentos e cedilhas. Como aqui, agora, neste espaço que tão bem conheço. Voltei de facto! É que hoje ao abrir a minha mala de viagem descobri, lá dentro, bem amachucada no meio de imensa roupa, a minha vida que sempre vivi.

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