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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

21
Jun07

Eles não sabiam.

Marco
Quando se despediram naquela noite que ambos interromperam, não sabiam ainda o tamanho desse adeus. Julgavam-no banal, do comprimento dos outros todos que no passado serviram de fronteira entre o tudo e o nada, como se um muro saído dos confins da terra, intransponível a partir desse momento até que um olá salvador a juntá-los de novo. O céu vestira-se de gala em tons de preto e as estrelas estavam também a rigor, mais parecendo pérolas preciosas de tão brilhantes.

As despedidas são o supremo acto de incerteza. Por mais que até amanhã ou até já, podem sempre virar até um dia ou mesmo até sempre. São despedidas, carregadas de adeus e por isso nunca certas, eventualmente definitivas, terrivelmente vagas. São como um mergulho no fundo do mar, falta-lhes o ar, apertam no peito, querem respirar e não podem, falta-lhes o ar, cada vez mais e mais, um sufoco, que sufoco e o ar, nada de ar até que finalmente olá e o alívio de respirar novamente.

Daí que naquela noite que ambos interromperam, banhada a prata pela luz das estrelas, ambos tenham mergulhado sem destino, separados por um muro cego que se ergueu do fundo da terra. Não sabiam o tamanho do adeus que disseram. Julgavam-no apenas mais um, depois de tantos outros. Ignoravam que o supremo acto da incerteza os rachava ao meio, qual trovoada descida dos céus, por mais que até amanhã que já não amanhã, nem mesmo ontem, perdidos que estão no escuro que faz a esta hora... no fundo do mar.

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