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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

15
Jun07

Enfim...

Marco
Chama-se All Lost, tudo perdido e entra-me pelos ouvidos como um hino à beleza ao mesmo tempo que procuro o que resta de mim, por aí espalhado em pequenos pedaços que o tempo não apaga nem consegue. A chuva a bater-me no rosto ao sabor das ondas que me mantêm à tona deste mundo que parece subitamente ter-me virado costas, indo-se embora não sei eu para onde ou porquê. Olho o céu escuro, ameaçador, feito quase noite em pleno dia. Flutuo.

Longe da terra parece não haver tristeza. Penso deixar-me ficar por aqui, embalado como uma criança pequena antes de dormir. Não tenho energia, derreteu-se toda em cada palavra impossível daquela maldita tarde em que os sonhos se evaporaram como a água desta estrada em que caminho já noite feita, no raiar de mais um dia pesado de tão longo. Não existe ninguém que possa compreender-me, este caminho é só meu e tenho de o percorrer sozinho.

Procuro. Vou N vezes ao sítio do costume, chamem-lhe esperança, o que quiserem. Nada. Nem um sinal, uma palavra, zero. Flutuo. Fujo daqui. Nem mais um minuto, quero ir para longe, tenho saudades da chuva a bater-me no rosto, o mundo fugiu, chama-se All Lost, tudo perdido, é maravilhoso, um hino à beleza, nada encontro de mim, talvez já afundado, o céu escuro, não tenho mais energia, malditas palavras impossíveis, tão impossíveis como estas, hoje, agora, neste texto.

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