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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

11
Jun07

Dominós.

Marco
Porque terá ele escrito sobre dominós? Imagino-o numa noite de insónias em sua casa, sozinho. Parece que o vejo a vaguear, perdido dentro de si, cheio de vontade de uma conversa, uma companhia. E os dominós, as peças da vida a tombarem inevitáveis, rumo a um fim. Sem retorno. O piano chama-o, repete o seu nome, quer ouvi-lo desabafar toda a dor que o mantém acordado. A lua cheia de luz, de silêncio. Um som de vazio capaz de se ouvir em todo o mundo.

Mais peças a cair e em cada uma, recordações. Escreveu – toda a gente sabe que as memórias nos manterão vivos, não desaparecem simplesmente. E não desaparecem mesmo, são como aqueles velhos relógios de parede, solenes a cada hora que passa, fazendo-se sentir acima de todas as coisas. É assim o grito de um passado que não desaparece, que vive em cada respirar, que acontece em cada gesto, por mais pequeno, por mais insignificante.

Na quietude dos seus passos, imagino-o triste. Não triste, melancólico. Presente demais no presente. Longe do que foi. No fim de todas as peças que caíram mesmo na sua frente. Todo ele recordações. Talvez seja por isso que escreveu sobre dominós e ainda bem que o fez. Por vezes, uma música é o mais belo retrato de um passado que nunca deixou de o ser. Preso a si mesmo, para sempre. Até sempre. Quanto às memórias, não desaparecem simplesmente.

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