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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

09
Abr07

Disse-lhe até já.

Marco
Começou por analisar a espessura do papel com a minúcia de um ourives, tocando-lhe com carinho, amor, deixando os dedos percorrer toda a sua extensão, sentindo-lhe a alma. Depois começou a sua obra, a arte de dobrar cada pedaço com todo o cuidado, em gestos decididos e cúmplices. Gestos profundamente sentidos, gestos eternos, de uma vida. Novo vinco e um sorriso seguido daquele sentimento pleno de quem sempre esperou por aquele momento.

De facto assim fora. Quantas folhas lhe passaram pelas mãos sem aquele toque mágico que acabara de sentir. Umas mais rugosas, quase ásperas, outras tão finas e frágeis. Folhas de um papel por certo importante, mas não o principal da sua vida. Aquela não. Aquela era diferente e ele soube-o desde o primeiro instante. Daí o cuidado em cada um dos seus movimentos. Sabia exactamente o que tinha de fazer e nada nem ninguém o desviariam do seu objectivo.

No fim de todos os vincos, deteve-se durante largos minutos a contemplar o esplendor do barco de papel que acabara de construir. Estava perfeito. Seria capaz de embarcar nele para ir até ao fim do mundo, imaginou-se na sua proa sentindo a suave brisa matinal. Olhou-o de novo e soube chegado o momento. Pegou no barco com todo o cuidado, dirigiu-se para o leito do rio que corria perto de sua casa e colocou-o a flutuar. Ao vê-lo lentamente afastar-se, deixou escapar uma lágrima ao mesmo tempo que foi incapaz de dizer a palavra adeus.

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