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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

31
Jul06

Os dias da praia.

Marco
Como me alegram os dias da praia. Talvez por ser uma daquelas relações que começam de garoto, com os castelos e outras formas construídos meticulosamente para a eternidade e logo pisados ou engolidos por uma maré que estava na hora de subir. Sempre me fascinaram as marés que sobem, descem, sobem, descem, como um relógio suíço, sem um único atraso.

Depois, as piscinas à beira mar. Projectos de alta engenharia destinados aos banhos impossíveis. Mas só o fascínio de cavar, cavar e ver surgir no seu fundo a água, como que por milagre, valiam sempre a pena e o esforço. Mais tarde vieram raquetas, os mergulhos em corrida para afirmar uma coragem herculeana e uma masculinidade bem vincada visto que o objectivo principal era sempre salpicar o maior número de bikinis possíveis.

Chegou a época das pranchas, das ondas, dos bicos de pato, dos 360, dos aérials, dos tubos e do diz que fiz à noite, recordando entre amigos as melhores manobras do dia. Hoje, sempre ao som da minha música, gosto de ler, gosto de pular nas ondas que rebentam na areia. Gosto de poder ir à praia quase todos os dias. Gosto de subir à esplanada e por lá ficar em horas de conversa e petisco. E gosto de alimentar o desejo de voltar às pranchas, porque nesta vida nunca é tarde para nada. 
28
Jul06

Um tributo aos amigos.

Marco
Gosto de vocês. Gosto muito de vocês os dois. Cada um com o seu jeito, tão característico, tão singular. Sei que somos como irmãos, sempre ligados, sempre por perto, sempre lá, sempre que é preciso. Entre nós, não às distancias, não aos tabus, não a nada. Basta um toque, basta um sinal e lá estamos, reunidos, prontos para tudo. Como hoje. Hoje, porque sim, porque nos apetecia. E que bem que soube.

Tu, Camacho no teu estilo tão Camachiano. Não vale a pena comparar-te com ninguém. És o Camacho e ponto final. Dono de um carisma que só tu sabes cultivar. No teu mundo és rei, dono e senhor. No teu mundo és amigo do amigo. Julgo mesmo ser essa a tua regra número um e admiro-te muito por isso. Fiel às tuas convicções e aos teus princípios, sei que posso contar sempre contigo, seja em que ocasião, cenário ou mesmo filme!

Tu, Filipe. O Santos. O sereno. Sempre lúcido no raciocínio, sempre capaz do melhor dos conselhos muitas vezes ainda antes do problema ser problema. Temos milhares de horas de cumplicidade. Há coisas de mim que só tu sabes, só tu viste, porque só tu estavas lá. És o amigo que sei, muita gente adoraria ter. Eu tenho e considero-me um sortudo por isso. Sei que posso contar sempre contigo, seja em que ocasião, cenário ou mesmo filme!

Hoje, escrevemos mais um episódio deste trio que promete andar por aí muitos e muitos anos. Mal posso esperar. Bela jantarada! Bela tertúlia. Bela amizade.
27
Jul06

Um filme de mim.

Marco
Eu não sei se afinal, as coincidências sempre existem ou não. Desconfio mesmo que a resposta a esta pergunta varia consoante o jeito que dá responder sim ou não. Curioso, foi no mínimo. Ontem, após uma sucessiva troca de viste aquele filme? E o outro? E por aí fora, decidi tornar a minha noite numa sessão de lotação esgotada de cine-sofá, ou no meu caso concreto, cine-cama.

A história, essa, já começou há dois, três anos, não me recordo. Lembro-me do cenário. Tão diferente do de hoje. Bem, mas a história. Nesse tempo, fez-me recuar para o meu imaginário de estudante universitário. Esse maravilhoso mundo, aparentemente tão dramático, mas definitivamente uma das melhores fases da vida.

Na sequela que vi ontem, estranhamente ou talvez não, revi-me. O mundo do trabalho. A escrita. Os amores e desamores. As incertezas. Os confrontos. A vida feita estrada, cheia de cruzamentos, de sinais intermitentes. Sentidos obrigatórios e proibidos. As dúvidas. Um avanço. Um recuo. Voltas e mais voltas em busca do happy end que se deseja. No filme, aconteceu. Comigo, logo se vê.
Eu não sei se afinal, as coincidências sempre existem ou não. Desconfio mesmo que a resposta a esta pergunta varia consoante o jeito que dá responder sim ou não.
26
Jul06

Escrito no destino?

Marco
Há uma suave brisa, muito fresca, muito pura, que refresca todos os dias o meu existir. Uma brisa que desliza por caminhos que não percorro porque o destino assim não quis. Um destino que teima em trocar-me as voltas fazendo-me sentir como uma criança num intrincado labirinto onde cada saída não é mais do que uma nova entrada, porventura ainda mais complexa do que a anterior.

Um destino feito da nadas que não acontecem por acaso. Um destino que dizem ser construído todos os dias. Um destino teimosamente comparado com as fatalidades que nos surgem ao caminho. Mas afinal, o que é o destino? É o que sempre teve de ser? É aquilo que fizermos dele? É um caminho? Ou uma meta? Um fim?

Não será o destino a maior de todas as desculpas? Para a não tentativa. Para o conforto da cobardia. Sim, não tenho qualquer duvida que é muito mais cómodo não arriscar, não levantar ondas. Afinal de contas, era o destino. Não, não era. Não é. Não é desculpa. Há que saber dar um murro na mesa do conformismo. Há que ir à luta. Por tudo. Para tudo.

Há uma suave brisa, muito fresca, muito pura, que refresca todos os dias o meu existir. Uma brisa que desliza por caminhos que não percorro. Por isso, vou sair à sua procura. Ao seu encontro. Posso não conseguir. Mas não posso não tentar.
25
Jul06

Até ao infinito.

Marco
Vais acabar comigo? Que frase esmagadora. Vais acabar comigo. Em que sentido, pergunto-me eu. Acabar com uma relação, acabar com uma pessoa, com a sua felicidade, com os seus hábitos, suas rotinas. Acabar com um pouco de tudo. Acabar com a vida tal como ela é, tal como ela está. Para depois tudo recomeçar, primeiro sem força, sem sorriso, sem vontade. Depois com forças, com sorrisos, com vontade.

E quem acabou com tudo para tudo poder recomeçar? Adeus caminho da unanimidade, adeus felicidade rotulada, adeus a tudo e a todos por um olá ao sentir genuíno. Aquele que nos incha o peito provocando continuados suspiros tão inexplicáveis como o sorriso que se rasga de orelha a orelha. Como um grito que apetece dar ao mundo para que todo o mundo nos ouça.

Acabar, seja como ou de que forma for, é recomeçar. É dizer adeus para dizer olá. É estender um abraço à vida. É uma grande oportunidade. Mais uma. É renascer, partindo do zero para o infinito que não acaba nunca. O fim só é fim mesmo no fim. Antes não existe. Nunca existiu. Por isso, não. Não vais nunca acabar comigo nem com ninguém. Sejas tu quem fores. Seja eu quem for. Não vais acabar. Vais recomeçar. Vais recomeçar comigo?
24
Jul06

O ontem feito hoje.

Marco
À medida que os anos avançam, vou aprendendo a ter a noção de que o hoje pode muito bem não ser amanhã. Provavelmente até será, mas a verdade é que chega sempre o dia em que viramos para um novo caminho, com novos desafios, novas amizades e vivências. Faz parte da vida, é um facto e quanto mais facilmente ele for aceite, melhor.

Não quer isto dizer que o passado esteja condenado a um longínquo ontem. Provavelmente até será, mas há sempre maneira de o tornar hoje, nem que por um dia, nem que por umas horas. Reviver histórias, reencontrar pessoas, voltar a locais, enfim regressar.

Há dois dias, fiz esse exercício. Tornei o meu ontem numas horas de hoje. Horas de boa disposição, muita gargalhada, imensa cumplicidade na presença de pessoas que continuam hoje, tão especiais como ontem, como sempre. Não vos esqueço, quero que saibam e por isso estas palavras, todas para vocês, cheias de amizade, repletas de saudade.

Hoje é outro dia. Hoje voltou a ser hoje. Amanhã, logo se vê.
21
Jul06

Existir.com

Marco
Curioso o tempo da modernidade informática. O maravilhoso  mundo das teclas, dos enter’s, dos shift’s e dos caps lock’s. Dos excel’s, dos word’s e dos powerpoint’s. Sim o mundo dos photoshop’s, dos flash’s e dos freehand’s. E como não poderia deixar de ser, o gigantesco universo dos mail’s, dos hi5’s e claro dos msn’s.

Curioso este mundo onde criamos um personagem virtual da nossa própria pessoa. Destinado a existir para parecer não o que somos mas o que queremos que pareça que somos. Um personagem de sentido único, capaz apenas do melhor. Será que as pessoas não têm defeitos na net?

Na minha opinião, o segredo está na medida. Por exemplo, nunca deixar que as conversas das teclas esmaguem as das palavras faladas sob pena do nada para dizer, do tudo já dito ou melhor, do tudo já escrito. Saber usar para acrescentar, anotar, lembrar e assim preservar o encanto do espanto, da novidade, da surpresa. A magia de um olhar que tudo diz. Basta saber olhar com atenção.
20
Jul06

A morte foi à escola.

Marco
Cheguei a casa tal como nos outros dias. Cansado mas pronto para mais umas letras à desgarrada, neste pequeno espaço de mim próprio. Cheguei a casa sem qualquer tema na minha cabeça, apenas uma vontade enorme de escrever, escrever, escrever.

No entanto, algo me deteve em frente à televisão. De repente, um interesse sinistro num dos mais aterradores actos dos últimos anos, o massacre de Columbine. Dois miúdos como tantos que vemos todos os dias. As suas mentes, tortuosas, bélicas, letais.

Os outros, aqueles que aparentemente iguais a estes dois, inocentes, assustados. Feridos, uns. Assassinados, outros. Apenas porque sim. Porque calhou estarem ali, naquele momento. Destino? Azar? Não sei. Sei que me fez pensar nas vidas que se perderam. Na facilidade com que se perderam. Tão cruel. Tão gratuito. Vi-lhes a todos a cara e por todos senti uma enorme revolta. Como foi possível?
19
Jul06

Era bom que sim.

Marco
Dúvida. Palavra simples, mas tão densa. Tão cheia. A pequena ponta de um iceberg que se afunda, monstruoso nessas frias águas da incerteza, do não saber o que decidir. Do nem sequer saber se decidir. Congelando certezas. Impedindo vivências. Uma ponte entre o tudo e o nada. Mais do que uma ponte, o bloqueio entre o era bom que sim, mas se por acaso não...

Dúvida que me assalta. Me alimenta por um lado, o da esperança e me sufoca por outro, o da incerteza. Um caminho que desconheço para um destino que muito quero. Muito desejo. Conheço-o melhor a cada dia que passa. Mas um destino que pode muito bem não ser o meu, ser apenas a ilusão de um cenário tornado perfeito por mim mesmo.

Dúvida que me fascina de tão imprevisível. Tão tudo. Tão nada. Tão dúvida. Resta a decisão, certa ou errada, mas com certeza antídoto. Capaz de tudo derreter mas cruelmente verdadeira. O fim de qualquer nevoeiro. O paradigma da nitidez. O destino por fim. Não sei se o tal destino. O desejado. Mas o fim de um impasse. A porta para o passo em frente. A porta para uma nova vida, também ela cheia de... dúvidas. Viver é mesmo assim.
18
Jul06

Para recordar, sempre.

Marco
Esta é uma história que começa há oito anos. Lembro-me como se fosse hoje, aquele momento em que tudo mudou. Bastaram os primeiros acordes da perfeita A Century of Fakers para que eu me deixasse embalar numa paixão que hoje se mantém mais ardente do que nunca. Falo da mais sublime das bandas. Capaz de momentos de eternidade em cada uma das suas canções. Falo dos Belle & Sebastian.

Hoje, passado todo este tempo, tivemos o nosso primeiro encontro. Frente a frente. Como se nada mais existisse. Que noite. Que magia. Cada música, cada hino de mim próprio, ouvido vezes sem conta em tantas fases da minha vida. Músicas que representam a perfeição da maneira como a ouço. A voz frágil de um Stuart Murdoch que da aparente timidez se faz um animal de palco, exuberante, carismático e de uma tremenda simpatia para comigo. Sim, porque continuo a acreditar que hoje, não havia mais ninguém no Coliseu.

Não me lembro de me arrepiar tantas vezes consecutivas. Não me lembro de sorrir e depois engolir em seco as lágrimas que teimaram em visitar-me. Não me lembro de me lembrar de tantas coisas, Tantos momentos. Histórias vividas ao som destes magos escoceses. Alegrias. Tristezas. A vida em todo o seu esplendor.

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