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Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

Deep Silent Complete

"Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridiculas...e nas palavras mais belas... Transformo-me todo em palavras." - José Luís Peixoto

30
Jun06

No fundo de mim.

Marco
A solidão teima em desafiar-me. Como aquelas crianças que nos olham, testando os nossos limites para elas próprias testarem os delas. Como que um jogo. Um jogo que aceitei jogar e do qual tento aprender as regras a cada dia que passa.

Umas vezes, parece incrivelmente fácil. O tempo passa, cheio de pressa, fugindo-me sem que eu perceba porquê. Outras vezes, sou eu e só eu. Uma companhia que gosto de fazer a mim próprio. Conheço-me e por isso, nada de grandes caprichos que sei, só me iriam chatear.

No fundo é uma descoberta. De mim mesmo. De quem eu sou. De quem quero ser. Um projecto de mim próprio, cujo sucesso se verifica a cada minuto de existência. Daí o desafio. Ou alguém pensa que as crianças desistem facilmente?
29
Jun06

Deixar acontecer.

Marco
Penso várias vezes sobre os encontros e desencontros da vida. Gosto de pensar que nada nem ninguém nos acontece por acaso. Gosto de imaginar uma equação matemática, complexa por certo, onde uma dízima absurdamente minúscula determinaria as possibilidades de alguém se cruzar comigo na vida.

É por isso que me fascinam os caminhos da vida. Gosto que as pessoas me aconteçam. Porque é disso que se trata. Um acontecer. Uma ínfima possibilidade que de repente o deixa de ser para se afirmar como realidade que deve ser aproveitada.

Mais tarde e inevitavelmente, o que era deixa de o ser e o destino de cada um encarrega-se de fazer o seu papel. Há que saber aceitá-lo e sobretudo, ter a capacidade de saber viver em pleno cada acontecimento. Não deixá-lo passar ao lado. Nunca. Nenhum.

Cada vez mais acredito na velha máxima: nada acontece por acaso.
28
Jun06

Para vocês, Ana Rita, Rita, Andreia, Tânia e Beta.

Marco
Para mim, foi uma noite inesquecível. É verdade que não houve festa, não houve euforia, não houve copos, não houve muita coisa a não ser stress. E que stress. Que responsabilidade. Que tensão.

No entanto, para mim, foi uma noite inesquecível. Porque na verdade houve muita coisa que até hoje nunca tinha testemunhado. Houve união, houve determinação, houve garra, houve entreajuda, houve afinal, muita coisa para além do stress.

Pela manhã, quando todos tocávamos os limites, eu sentia-me também nos limites da felicidade por me ver tão bem rodeado. Gente com muito carácter. Gente muito profissional. Gente que quer. Gente que consegue. Gente que tenho a certeza, vai muito longe. Gente a quem eu daqui envio um obrigado do tamanho do mundo. Tenho muito orgulho em trabalhar com vocês. Tenho muito orgulho em ser da vossa equipa. A nossa equipa.
27
Jun06

Eu, eu e eu.

Marco
E de súbito, perdido de novo numa noite sem fim. Horas de escuridão sucedem-se a horas de escuridão. Os pensamento turvam-se. A confusão instala-se. Sinto-me cansado. De lutar. Muitas vezes contra mim próprio. Contra a minha natureza que ninguém parece compreender. Será assim tão difícil?

Mas agora pouco interessa. Há guerras para ganhar. Todas as forças são necessárias. Toda a coragem. Coragem que ontem vi na janela para o mundo, onde samurais lutavam até ao seu fim, pela sua nobre forma de ser. Quanta coragem. Quanta bravura. Quanta honra. Comoveu-me ver tamanha grandeza de espírito.

Hoje olho à minha volta, volto a olhar e um imenso nada. Nada de valores. Nada de nobreza. Nada de escrúpulos. Só o agora. Só o eu. Cada um lutando pelo seu eu, como se esse eu fosse mais que todos nós. Numa imensa correria feita de cotoveladas e atropelos rumo a uma meta que na verdade, julgo ninguém conhecer.

Eu quero continuar a não ter pressa de lá chegar. Quero continuar a pensar que o meu eu o pode ser com o teu eu, o vosso eu. Nos todos podemos ser muito mais, uns com os outros. Muito mais do que uns em vez dos outros.
26
Jun06

Em arrumações.

Marco
Há dias em que a emoção nos cerca, tantas as coisas a acontecer. Hoje para mim, é um deles. Tenho mil pensamentos a explodir na minha cabeça, como se de um espectáculo de fogo de artifício se tratasse. Belo, mas igualmente complexo. Como um desafio, um tremendo desafio.

Tenho a cabeça no Egas Moniz. Tenho a cabeça neste projecto, que me ocupa há uma semana. Nos ocupa. Tenho a cabeça no dia de ontem, e de antes de ontem. Tantas e boas memorias. Tantos momentos bem passados. Tanto divertimento. Memorável.

Tenho livros e papéis, espalhados pelo chão. Esta frase que ontem tanto nos fez rir, serve hoje de metáfora ao meu cérebro. Resta-me arrumar toda esta confusão, folha após folha, livro após livro. Porque quero vencer o desafio que nos desafia. Porque sei que tudo corre bem no Egas Moniz. Vamos a isso.
23
Jun06

Banda sonora de uma directa.

Marco
São 5:04. A noite vai longa, escura e silenciosa. Na rua, claro. Cá dentro, cinco pessoas lutam contra o tempo e contra o cansaço, em nome de um compromisso, por uma ideia, várias ideias. Que vão surgindo, cada vez melhores.

Existe uma união que sinceramente, nunca vi. Já fomos conquistadores com Da Vinci (sem qualquer código), já demos a volta à cabeça com a Dina, já nascemos para música com o José Cid e agora todos sabemos que we’ve got tonight com o grande Kenny Rogers. E como ele próprio que diz, we’ve got tonight, who needs tomorrow?

Julgo que apesar do imenso sono que nos tenta vencer, hora após hora, nada nos demoverá. Todos nós temos uma arma preciosa que nos renova forças quando estas parecem esgotadas. Gostamos uns dos outros. A sério. Gostamos do que fazemos. A sério. E porque esta é a nossa vida, vivemo-la no limite. Como nos canta a Viviane, tenho tanto para te dar que a vida não chega. Ou como nos canta a Sandra Kim, J’aime j’aime la vie.
22
Jun06

Amizade traída.

Marco
Já não há amizade. Não há mesmo. É com muita pena que digo isto. Escrevo isto. Custa-me. Nem imaginam quanto. Sou daqueles que ainda acredita ou melhor, acreditava, na amizade pura, que dá sem pedir em troca, sem cobrar, nada. Mas sobretudo, sou daqueles que acredita ou melhor, acreditava na amizade sem traição.

Tenho grandes amigos. Não muitos até porque aqui se aplica a velha máxima da qualidade versus quantidade. Mas grandes. De uma dimensão humana tremenda. Daqueles que no momento certo, de dor, dificuldade, estavam lá, com a sua mão, o seu abraço, a sua palavra. Daqueles que jamais seriam capazes de me trair. E que orgulho tenho eu neles. Vocês sabem disso e sabem quem são, não sabem?

Depois há os outros. Os que pareciam ser mas afinal não. Nada mesmo. Grandes amigos, mas de si próprios, do seu infinito ego. Esses não me interessam, não os quero e por isso daqui lhes mando um recado muito muito sincero. Não percam o vosso tempo comigo. Já dei demais para o vosso peditório. E mais: todos vocês sabem quem são, não sabem?
21
Jun06

Uma ideia de vida.

Marco
Gosto desta pressão do tem de ser. Gosto do desafio de dar corpo a uma intenção. A um objectivo. Uma estratégia. Gosto de pensar. Procurar. As ideias. Essas fugitivas que parecem gostar sempre mais dos outros do que de mim. De quem será a cobardia? Da ideia que foge, foge, foge? Ou da mente que preguiça, preguiça, preguiça?

Busco, pesquiso, estudo. Tento, tento e volto a tentar. Escrevo uma, duas, três vezes. Mas não gosto. Ainda não é isto. Eu sei que ainda não é isto. Pode ser melhor. Mais assertivo. Começo de novo, como que gritando por elas, que venham até mim, ideias fugitivas. Cobardes.

Gosto que no fim desta luta, de cada luta, vença o melhor. Ou a melhor. Ideia, claro. Aquela que mais que convence, a mim e mais tarde aos outros. E quem são os outros? Todos aqueles em quem pensei ou para quem pensei. É assim o meu dia a dia. E atenção, isto é mesmo verdade, não é só publicidade.
20
Jun06

Hoje nada.

Marco
Por mais que me esforce, hoje não sai nada. Tudo me parece tema e no entanto nada mais do que um imenso nada. Não sei se de ideias. Não sei de quê. Será um nada de mim próprio? Como uma porta que teima em não abrir-se, escondendo mistérios que para sempre o irão ser.

Terei eu ficado trancado no lado de dentro de mim? Na escuridão de um ser que se afirma ser eu próprio? Onde estará a luz? O interruptor de alma que me ajudará a encontrar a chave para o mundo. Não sei. E por hoje não vou procurar mais. Estou cansado.

Amanhã, o despertador voltará a tocar. Nova busca se iniciará  e por isso, nada de pressas. Tenho tempo. Assim sendo, vou descansar um pouco aproveitando a tal escuridão. É que, como disse no inicio, por mais que me esforce, hoje não sai nada. Nada mesmo.
19
Jun06

Para o meu avô.

Marco
Neste preciso momento em que começo a escrever sobre ti, estás provavelmente a preparar-te para dormir. Mais uma longa noite nesta longa espera que nos espera. A todos. Porque estamos todos contigo, num pensamento de força e fé que te queremos transmitir.

Custa estar no conforto de casa e imaginar-te nessa cama de hospital. Como será que ocupas todas as horas desses intermináveis dias? À falta de respostas, opto por lembrar a tua gargalhada,  que normalmente se segue a uma das mil histórias do arco da velha que contas que viveste.

E acredito que sim, tal como acredito que dentro de meses vais estar de novo a rir, contanto um qualquer episódio que viveste aí. Por agora, vai lá dormir que eu vou fazer o mesmo, esperando que este pesadelo acabe de uma vez por todas. Bons sonhos Tóino.

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